domingo, 20 de março de 2011

Um homem sem tom!

    Estava eu correndo numa avenida próximo a minha casa para perder aquelas famosas gordurinhas, quando ouvi um acidente terrível. Um carro atropelou um senhor que passava próximo a praça e sem escrúpulo algum o cidadão do veículo saiu em disparada depois que deu ré após ter batido na árvore. Não ele não se importou com aquele senhor caído ao chão. Sorte que um outro cidadão anotou a placa do  do veículo criminoso.

Mas enfim, aproximei do senhor atropelado e  vi que ele gemia, lhe dei a mão e ele sorriu para mim. Disse obrigado. Era um desses mendigos que sempre ignoramos e não estamos nem ai. Ele cheirava forte de dias sem tomar banho.  Rapidamente a ambulância chegou. E aquele senhor me pediu para acompanha-lo. Acredito que ele sentiu confiança em mim, talvez naquele momento de dor, de quase morte ele precisasse de uma pessoa que lembrasse alguém da família e me lembrei que família é para nos dar segurança. E sem medo algum acompanhei aquele senhor. E levaram ele para a sala de cirurgia operaram o sua perna e a  bacia, e eu fiquei ali esperando, depois de ter ligado para a minha família. A cirurgia ocorreu tudo bem apesar da idade aquele senhor era forte.
  
 No dia seguinte após a cirurgia eu pude vê-lo. Ele estava no quarto com outros três paciente e dormia medicado.  Aproximei e vi que agora ele, sem as  roupas de pedinte e tomado banho era um senhor branco, cabelos brancos e traços fortes, rígidos. E estranhamente mesmo a sua pele sendo clara, não tinha um tom definido parecia perdida entre o claro e o muito claro. O médico se aproximou e me disse que ele estava bem novamente e seu eu era parente dele.
-  Não o vi sendo atropelado. Não sei nem o seu nome.
-  Em seus documentos está escrito  Hans alguma coisa. Certamente veio do sul.

Fiquei surpreso, porque geralmente os pedintes que conhecemos são geralmente negros ou pardo, sem descriminação mas se trata da abismo social de nosso país. Fiquei tranquilo e deixe ali alguns doces e frutas para agora o Hans. E de alguma forma eu não pude me livrar daquele senhor. Ele entrou em minha vida, eu deixei ele entrar e no dia seguinte estava eu lá, cuidando dele no hospital .
- Olá Senhor Hans. O meu nome é Melquis e como o senhor  está!
Ele me olhou com os seus olhos grandes e azuis. Não sorriu, mais sério do que qualquer ser que já vi em minha vida.
- Vocês brasileiros estão sempre com um sorriso um maldito sorriso.
- E porque ser sério! Levar a vida a sério demais se vamos morrer no final.
-É...
- E então com está.
- Bem. Não me derrubaram antes não vão derrubar agora.
- Eu trouxe algumas roupas para o senhor.
- Porque todo esse cuidado, você nem me conhece.
- E precisa conhecer alguém pra ajudar.
- Hipócrita, na rua quando eu peço poucos me dão atenção.
- É que na rua, a gente sabe que  maioria dos pedintes estão ali por causa do álcool ou das drogas. Não podemos ajudar eles manter os seus vícios. O estado é que tem que tira-los desses vícios. Mas isso é assunto para depois.
- Você  é judeu? - ele me perguntou mais rígido do que antes.
Alguns me confundem com libanês. Outros com  italiano.Mas no Brasil isso é assim mesmo.
- Sou judeu, português, índio, africano, alemão italiano japonês e todos os mais que existem. Como todos que vieram para esse país.
- País de merda!
- Então assim que o senhor ficar bom, vai embora desse país. Não precisamos de idiotas como o senhor! -Eu fiquei irritado.
- Sabe há dois tipos de pessoas em minha vida, as que eu gosto e as que eu ódio.
- É que pena!
- Você mesmo sendo judeu e tudo isso mais que disse, está entre as pessoas que eu gosto. E aquele maldito que me atropelou as pessoas que eu odeio. Vou mata-lo assim que sair daqui.
- Foi um acidente!
- Acidente! Ah vocês brasileiros são inocentes. Não há acidentes como aquele! O desgraçado queria me matar. Eu sei o que é maldade e o que é acidente. Aquele motorista estava com maldade. Igual a tantas que eu já vi.
- Viu?
- Ah! seu eu contar a minha história...
- O senhor é de onde! Santa Catarina ou Rio Grande do Sul.
- Áustria.
- Entendo.
- E já deve perceber que sou um nazista. - disse com orgulho e ficou me olhando.- Então vai cuidar de mim agora.
- Vou, mas não com admiração humana como antes.
- Ora não seja tolo, somos tão humanos quanto qualquer um. Afinal não foram as girafas que criaram os campos de concentração. Nem a bomba atômica, nem roubaram terras dos palestino nem mataram os índios americanos, nem os índios brasileiros nem escravizaram os negros ou expulsam os bolivianos. ou comunista matando gente ou capitalismo matando gente. Não foram as girafas não é mesmo. Somos nós.
- Mas não posso aceitar esse lado humano.
- É uma escolha! Mas ele existe. Se é justo ou não vai do código moral de cada um. Mas todos esses atos foram criados por nós humanos. Está em nós.

Bem aquilo foi demais para mim, a hora da visita acabou e eu me retirei. Confesso que não dormir a noite toda. Aquele homem mesmo sendo um velho era um criminoso. E eu que nunca tive nada a ver com essa segunda guerra, estava ali me vendo levado por ela. No dia seguinte  voltei ao hospital pra visita-lo novamente e provar que não discriminaria por ser humano. E para minha surpresa aquele velho havia fugido, mesmo com a perna  fraturada e a bacia. Os médicos estavam surpreso, mas eu não. Hans certamente era um homem de batalhas e aquelas fraturas não eram nada para ele. Eu rodei a cidade procurando-o e não o encontrei. Coisas estranhas passaram por meus pensamentos. Como alguém do hospital te-lo matado ou o próprio serviço secreto Israelense que vive caçando nazistas na América do sul. Mas nada de seu Hans.
   
Três dias depois lendo o jornal da cidade, encontro o noticia de que um cidadão foi morto em sua própria casa, amarrado a cama e tendo as pernas e a bacia quebradas. Era um jovem que respondia por crime tentativa de homicídio após um atropelamento e que não prestou socorro. Não pude acreditar! O  Hans havia cumprido o que prometeu. E havia me avisado, mas como eu poderia acreditar em homem com a perna e a bacia fraturada com mais de oitenta anos vividos. Um homem que certamente matou muitos mais do que aquele jovem, um homem que se alimentava do ódio por outro homem.

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