segunda-feira, 18 de junho de 2012

E porco que não?



Dia desses Mario e Valquíria nos presentearam com um filhote de porco. Eu disse logo. Mas porque um porco? Afinal todos sabem qual é o meu time. Brincadeira a parte.

Valquíria então me respondeu.

-E porco que não?

Eu ri do jogo de palavras e verdade é Porco que não?

Cachorros e gatinhos são fofinhos, amigos. Em casa temos todos. Mas há pessoas que tem a ousadia a coragem de estimar outros seres. Cobras, aranhas, iguanas, escorpiões gigantes.  Todos os animais que sempre povoaram a nossa imaginação os nossos medos e arrepios. Mas são seres vivos ora. Tão merecedores de vida como nós.

- E ai Melquis, você ainda está surpreso? – me perguntou Mário.

- Sim é uma novidade?

-Mas você é um cara que sempre teve a mim e Mário como amigos não poderia ter surpresa quanto às diferenças que a vida cria.

Todos Sabem que Mario e Valquíria são casados. Ele enxerga a vida de um ângulo especial, ela uma anã dominadora e possessiva, mas carinhosa com os seus. E tem um amigo gay que foi morto pelo ex-marido e agora virou um espírito de luz que a visita sempre. Somos amigos também.  

- E que vocês não dão trabalho. O porco tem que ter cuidados.

-Ora cuidados com os outros são bons para exercermos a nossas capacidades que às vezes nem sabemos que temos. – Disse Mário de seu ângulo especial de ver a vida.

- Por isso que eu te amo Mário. - disse Valquíria.

Pronto mais uma vez me convenceram.

-E porco que não? – eu completei.

domingo, 10 de junho de 2012

Simplesmente.

Vez por outra em sua vida Marcos se pegou se sentindo o nada.

Não era famoso, não entraria para história como grande rei, conquistador ou homem das artes ou ainda um inventor. Nunca foi notícia. Sempre levou uma vida cotidiana: Trabalho, família, amigos. Um churrasco de vez em quando, aniversário de alguém querido. Futebol sempre que possível. E o mais do mesmo todos os dias.

Na verdade nunca se viu em outra vida, nem pensou em  ser outra pessoa.

Mas agora naquele dia em que tudo estava preste a mudar. Se olhando no espelho enquanto escovava os dentes e depois iria para o hospital. Lembrou-se do primeiro beijo que trocou com Elisa, do sentimento que lhe bateu forte, do sangue novo que sentiu correr nas veias. E da imagem do sorriso dela depois do beijo. Sorriso de alguém feliz. Sorriso que pareceu lhe pertencer e nunca mais saiu das imagens de sua alma. E que foi crescendo e se instalando de vez e em todos os cantos de seus sentimentos, fazendo sol e lua, dia e noite. Alimento e água, preenchendo todos os espaços que sabia existir em sua vida e que agora dois anos e quatros meses depois resultou em Maria Inês, a primeira filha do casal que nasceu há dois dias.

Não, não pode mais se sentir um nada. E certamente não estaria na lista de nomes que correm a história humana para o bem ou para o mal.

Mas e daí!

Tinha Elisa, Maria Inês e graças a Deus uma vida cotidiana, como  a centenas de milhares de milhões de pessoas que como ele, eu ou você existiram nos tempos de reis, e conquistadores e nunca se quer foram mencionados na história. Mas que o prazer de viver, de existir fez-se compreender que viver é importante para quem vive, não para a história.

A história humana, com seus atores e cenas, não seriam e não existira se não houvesse os Marcos, Elisa, Maria Inês, eu, você e todos que estamos nessa história que é viver.

domingo, 3 de junho de 2012

Insubstituíveis.


(Todos sabem de minha amizade por Mario e Valquíria. Se não basta ler os contos do Assassinato no Cassino ou tudo que estiver relacionado ao Mario aqui mesmo no Blog).


Mario me ligou dia desses.
Estava eufórico. Valquíria finalmente havia mantido contato com Juraci novamente.

Depois do episódio do Cassino, nunca mais o vimos.

- Ele é um grande amigo. Valquíria não consegue viver sem ele mesmo depois de morto. – me disse ele todo contente por a mulher está contente pela visita do amigo.

- E ele como está? – perguntei sentindo saudade de Juraci.

- Mais brilhante do que nunca. Realmente é um espírito de luz.

- Diga para ele vir em casa, se puder. Também estou com saudades.

- Direi. Mas sabe como é! Espírito tem os seus horários também.

- Eu entendo.

Algumas pessoas são extremamente necessárias em nossas vidas. Fundamentais, insubstituíveis. Vendo o amor fraterno de Valquíria por Juraci, e essa celebração de viver um sempre visitando o outro mesmo pós-morte. Eu percebi o quanto Mario e Valquíria e agora Juraci são insubstituível em minha vida. E isso me fez sentir, mais humano do que nunca me senti .  Porque ao lado deles, agora percebo, sempre me senti mais ligado a vida. E mesmo nas loucuras que nos metemos, nunca me senti tão seguro.

E vamos apreendo tudo o que se tem para se apreender nessa vida. Descobrindo o que não sabíamos existir em nossas vidas.

No meu caso o valor da amizade de pessoas como Mario e Valquíria e agora Juraci. Ah! A vida.