domingo, 10 de junho de 2012

Simplesmente.

Vez por outra em sua vida Marcos se pegou se sentindo o nada.

Não era famoso, não entraria para história como grande rei, conquistador ou homem das artes ou ainda um inventor. Nunca foi notícia. Sempre levou uma vida cotidiana: Trabalho, família, amigos. Um churrasco de vez em quando, aniversário de alguém querido. Futebol sempre que possível. E o mais do mesmo todos os dias.

Na verdade nunca se viu em outra vida, nem pensou em  ser outra pessoa.

Mas agora naquele dia em que tudo estava preste a mudar. Se olhando no espelho enquanto escovava os dentes e depois iria para o hospital. Lembrou-se do primeiro beijo que trocou com Elisa, do sentimento que lhe bateu forte, do sangue novo que sentiu correr nas veias. E da imagem do sorriso dela depois do beijo. Sorriso de alguém feliz. Sorriso que pareceu lhe pertencer e nunca mais saiu das imagens de sua alma. E que foi crescendo e se instalando de vez e em todos os cantos de seus sentimentos, fazendo sol e lua, dia e noite. Alimento e água, preenchendo todos os espaços que sabia existir em sua vida e que agora dois anos e quatros meses depois resultou em Maria Inês, a primeira filha do casal que nasceu há dois dias.

Não, não pode mais se sentir um nada. E certamente não estaria na lista de nomes que correm a história humana para o bem ou para o mal.

Mas e daí!

Tinha Elisa, Maria Inês e graças a Deus uma vida cotidiana, como  a centenas de milhares de milhões de pessoas que como ele, eu ou você existiram nos tempos de reis, e conquistadores e nunca se quer foram mencionados na história. Mas que o prazer de viver, de existir fez-se compreender que viver é importante para quem vive, não para a história.

A história humana, com seus atores e cenas, não seriam e não existira se não houvesse os Marcos, Elisa, Maria Inês, eu, você e todos que estamos nessa história que é viver.

Um comentário:

  1. "E a gente vai levando esta vida..."
    Somos seres perdidos na solidão de grandes centros e essenciais no âmbito dos entes queridos.
    Gostei do blog. Belo filosofar.
    Bjlhões.

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