domingo, 1 de maio de 2011

A segunda aparição de Dona Julia

   A segunda vez que Dona  Júlia apareceu para mim, eu estava triste pela morte de meu cão, Preto. Preto era um companheiro desses de a gente dormir juntos. Minha mãe nem ligava. Acho que a minha mãe sabia que de alguma forma Preto era como um anjo da guarda para mim, me protegendo sempre.
Preto morreu de parvo-virose, porque as pessoas andas com os seus cães nas ruas e ele defecam e se tiver algum contaminado o vírus fica ali. E sabe como é cão, eles sempre usam o nariz para tudo, para saber que passou por ali. Preto deve ter posto o nariz na merda de outro cão contaminado e pegou o vírus. As pessoas deveriam limpar a merda de seus cães, eles coitados não sabem e não tem noção de higiene como nós.
E essa me revolta ficou amarga dentro de mim, e com a perda de Preto eu fiquei meio rebelde, não queria ir a escola, nem comer, dormia mal. Fingia não ouvir a minha mãe me chamar. Fingia dormir. Acho que minha mãe deve ter rezado para um anjo bom me abençoar, me acalmar.
E foi quando numa manhã de sábado triste, ela me apareceu. Eu não fiquei com medo, mas não queria falar nem mesmo com ela.
Dona Júlia percebeu, e se aproximou com o seu sorriso lindo e que trazia paz. Olhou para mim  sorrindo botando a sua mão em minha cabeça e me fez dormir. Confesso que apaguei rapidamente. E depois me vi caminhando em um imenso gramado onde o latido de Preto vindo em minha direção me mostrou ele. Ele estava tão alegre, tão forte e lindo como antes, nem parecia aquele amigo doente que eu tinha visto dias antes. Rapidamente ele pulo encima de mim, me lambendo sem parar, como que me dizendo que gostava de mim pra caramba. Muito e muito....e então eu vi os seus olhos pela última vez e acordei como se tivesse dormindo durante uma semana. Eu estava agora cheio de energia, com uma fome, uma vontade de ir brincar de correr de abraçar as pessoas, e depois daquela manha eu nunca mais senti saudade de Preto. Minha mãe até estranhou a minha energia. E como um último contato em que Dona Júlia me proporcionou com o meu querido cão. Preto. Eu rezei em agradecimento a ela, e a Deus por nos proporcionar esse mundo maravilhoso de saber que o amor de um nunca deixa o outro, seja lá para onde vamos.

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