terça-feira, 6 de março de 2012

Santo Deus! Não dá pra acreditar!


Meu filho de sete anos passou a agir com receios e medos derrepente e quando percebemos ele estava ficando  deprimido.
 - Rafael o que aconteceu. - perguntávamos insistentemente.  Mas nada, nada de uma resposta consistente dele.
 - Talvez seja a falta do coelho Bibi que sumiu. – disse a minha mulher.
E então compramos outro coelho para ele e fizemos uma surpresa. O coelho que  compramos era da mesma cor de Bibi e parecia o mesmo. E numa manhã de domingo assim que acordou demos o coelho a Rafael, e  ao ver o coelho ele simplesmente desmaiou.
Foi um corre corre e  o levamos para o hospital. Rafael tomou soro e voltou a si. Graça a Deus.
Contamos a história ao médico e ele pediu o auxilio a uma  estudante de psicologia estagiando naquele domingo. – bendito plano de saúde caro que pago.
Ela pediu que todos deixassem a só com Rafael e depois de meia hora ela apareceu.
-  E então! – eu perguntei desesperado.
Ela sorriu.
- Típico medo de criança. - disse  com sua sutileza clínica.
 - Medo do que? – perguntou a minha esposa.
- Rafael ouviu algum coleguinha na escola dizer que os coelhos são a encarnação do demônio. E que para se livrar do demônio e preciso enterrar o coelho vivo.
 - Ai meu Deus! – minha esposa disse assustada.
- Pois é Rafael fez isso. – disse a estagiária de psicologia. -  Mas como a lenda que disse os coleguinhas, o coelho não poderia escapar vivo se não ele apareceria novamente e levaria toda a família pro inferno.
- Que tipo de pessoa doente dá essa educação ao seu filho? Crer em inferno que coisa mais idiota. – eu disse irritado.
- Pois é senhor Melquis. Rafael acreditou nessa história e enterrou o coelho, mas esqueceu que o coelho cava e fugiu.  E no outro dia viu que o coelho fugiu e temeu que todos fossem pro inferno. E quando o senhor apareceu com o novo coelho, Rafael pensou que o coelho voltou para  levar todos pro inferno.
  Eu não acreditei que isso estivesse acontecendo com o meu filho. E então  quando Rafael voltou pra casa, começamos a trabalhar nele a idéia que o inferno não existe e que os coelhos são apenas animais fofos e dócil. E que é o símbolo da páscoa e lembra os ovos de chocolate.
Rafael aos poucos foi aceitando a nova realidade, e um mês depois estava com o novo coelho pra cima e pra baixo.
Ficamos sabendo que o coleguinha que disse que o coelho é do demônio, é filho de uns fanáticos de uma seita que condena todo mundo que não seja da seita ao inferno. Inclusive os animais.
Olhando para a situação eu pude entender  o quanto a mente humana, patina ainda num mundo primário.

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